o espaço das minhas coisas

Segunda, 20 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - missionário das eternas fotos

Depois de um fim de semana na Pipa, experimentando sensações fantásticas, tais como a companhia familiar, fotos incríveis, convivência amistosa com seres de todos os cantos e recantos do planeta, naturalmente diferentes, daí advindo beleza, posto que a diversidade é a mais perfeita glorificação da criação, eis que embriagado por estes momentos únicos, sugiro voltar novamente à esposa, e aqui estamos em Tibau do Sul, curtindo Cacimbinhas, praia no caminho da Pipa, selvagem, bela, cheia de charme e falésias multicoloridas.

E logo cedo, inquieto como sempre, vou para a rua, enlouquecido por fotografias, partindo em busca do nascimento de imagens, que vou parindo na maternidade de minha Canon e do Smartphone Samsung S10, tendo dificuldade enorme, confesso, de abortar algumas logo após a apreciação das mesmas para possíveis postagens. Estando inserido no universo da fotografia no espaço/tempo de apenas um ano, totalmente mergulhado no líquido amniótico deste nascimento na beirada do período sexagenário, não consigo parar de clicar e tenho extrema dificuldade em apagar registros.

As vezes alguém diz que posto muitas fotos, o que encontra respaldo na realidade, mas cada película que produzo me causa satisfação, tendo pouca ojeriza e muita aprovação, não no sentido de me achar isso ou aquilo, não, quando observo o que fiz, não me vem a mente nada a não ser a satisfação de ter aquela jóia, aquela pérola ali, resultante da minha visão/percepção/ação, então como o Facebook ou Instagram são meus espaços, não acho errado postar muitas coisas. Observa quem deseja e na quantidade que lhe apraz.

Não existindo assédio direto, ligação pedindo, algo invasivo, qual problema em exposição quantitativa de fotos? Sou apaixonado pelo que faço, é DNA, assim foi com a TV, jornal e revistas que trabalhei, atividade social via Casa do Bem que fundei, blocos, ações culturais, livros que lancei, posições políticas que tenho, sempre fui intenso, vivo, ativo e assumido.

Agora como fotógrafo, mesmo sem nenhum domínio técnico, zero em teorias e escolas, me atrevi a fazer exposições com um expoente potiguar, sem medo de comparações, participo de grupos, mostro o que faço, não me escondo, não me envergonho, estou no mundo, mais para mostrar que para apagar fotos, totalmente possuído, curtindo a vida duplamente, como um presente divino, vendo como alguém comum e, ao decidir eternizar, vendo como alguém que colabora com a história, memória, passado/presente/futuro.

A fotografia chegou na hora que aposentei. Foi o presente de Deus, me entregou as chaves da eternidade. Eu passarei - o que hoje registro, para os anais de chronos, naturalmente, gentilmente, maravilhosamente. Como poderei muita coisa apagar? Ver/registrar/revelar/disponibilizar/compartilhar, eis minha última missão.

LuzZzzz

Flávio Rezende aos dezoito dias, primeiro mês, ano dois mil e vinte. 12h25. Praia deb Cacimbinhas/Tibau do Sul. 

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