o espaço das minhas coisas

Sábado, 03 de Outubro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - a degeneração do alto

A situação planetária não está fácil, em todas as áreas, situações, assistimos estarrecidos a predominância de posturas arrogantes, autoritárias, ditatoriais, com figuras que representam o que chamamos de alto patamar, recorrendo a mentiras, ameaças e dissimulações diante de demandas diversas em países, religiões, esportes e, principalmente, na seara política. 

A esquerda e a direita, falsos democratas posam de pessoas de bem, utilizando reiteradas vezes de fake news, propagando inverdades, repetindo mentiras e insistindo em versões falsas, não dando a mínima e até ridicularizando quem denuncia, recebendo, creiam, apoio entusiástico dos seus devotos, num flagrante desrespeito a moral e aos bons costumes, bandeiras que eles mesmos elegeram e delas se beneficiaram para ascender ao poder.

Hoje em alguns países, especialmente o Brasil, Estados Unidos, Venezuela, Turquia, Rússia e na Coreia de Kim, os mandatários usam e abusam de autoritarismo, fazendo chacota de tudo, ridicularizando quem deles discorda, autorizando suas estruturas de comunicação a não dar respostas as demandas da imprensa, caso sejam de alguma maneira indesejadas para seus gostos, num festival insano e antidemocrático de "nada a declarar" nunca visto. 

Os altos mandatários na maior cara de pau repassam mentiras, repetem falsas notícias, empoderam versões claramente irresponsáveis, tornando o papel do dirigente maior, pequeno, leviano, menor.

Se num país, religião, esporte, poder, o mais alto representante não mostra apreço nenhum pela harmonia, não tem interesse em ouvir o conjunto da sociedade e tomar decisões sábias e democráticas, preferindo jogar para as partes, ignorando seu papel, jogando no lixo a magnificência do cargo, o que os que dependem dessa boa postura podem esperar de pessoas assim?

Hoje assistimos religiosos enredados politicamente, tirando proveito de apoios para crescer materialmente, deixando o espiritual apenas como moeda de troca. 

Hoje vemos dirigentes esportivos amasiados por seus times, matando o amor pelo esporte, pois quando o interesse é pelo particular, o todo apodrece. 

Hoje os presidentes, primeiros-ministros de vários países e matizes ideológicos, governam para seus devotos, agindo ditatorialmente, usando propaganda para a manutenção dos seus egos, suposições, deixando a busca da verdade como cemitério e estimulando confrontos e antagonismos, buscando assim a criação de um clima propício para uso de aparato militar.

Trump cria clima para não aceitar possível derrota, Bolsonaro ameaça o tempo todo fechar instituições e colocar forças armadas nas ruas, Maduro já governa sob o signo da força, igual desprezo pela democracia vemos em Kim, Putin, Jinping, Canel e Lukashenko, entre outros. 

Pelo visto, o sagrado patamar, podium, lugar do alto, anda sendo vilipendiado por ditadores, mesquinhos, seres demoníacos, os famosos lobos em pele de cordeiro.

Que situação, rapá...

Flávio Rezende aos três dias, décimo mês, ano dois mil e vinte. 12h09.

Sexta, 25 de Setembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - considerações gerais sobre eu e o Covid-19

Neste ano da graça de 2020 - para muitos o que não foi, o da desgraça, o que não consta, não conta ou o que se desconta, adentrei praticamente o mesmo em tempos chronos de fev/março na Big Apple.

Feliz como sou, colhedor de sementes plantadas como trabalhador de até três expedientes a vida quase toda, lá estava com a família completa de tudo, bem hospedados, bem agasalhados, serelepes pelas quintas, sextas e demais avenidas, consumimos, batemos pernas e ouvimos falar que pelas bandas da China, um tal Covid começava a perturbar. Deinha, Mel e Gabriel voltaram e parti para Miami.

Depois começou o fecha-fecha, pavor, mortes e todos os babados já bem conhecidos. Eu a a família atravessamos estes tempos seguindo os conformes ditos e, só agora, Gabriel pegou o danado mas está bem. Pois bem, neste tempo todo, fui o mais arisco, saindo para fotografar o vazio, registrar para a história o vácuo populacional nos espaços públicos.

Tenho escapado e agora com as coisas se flexibilizando, parti para um tour para não perder milhas. O tour abrangeu João Pessoa, Salvador, Rio e hoje Baía Formosa. A fotografia é incrível, quantas pessoas pude mandar registros legais pelo zap, depois de perguntado inúmeras vezes por causa da lente 50-500 Sigma que chama atenção, se era fotógrafo profissional.

Digo que sou fotógrafo social, um bosta em técnica, mas cheio de boa vontade em fazer alguma coisa e mandar de graça. Nada de cobrar, fico feliz em ajudar, e assim fiz em Jampa, Salvador, Rio e agora um surfista jovem em Baía Formosa. Adoro ser útil, fazer o bem, pagar o cacho e levar apenas uma banana. Escapei do Covid em Nova York, Miami, Natal, Pium, Ponta Negra, Coqueirinhos, Tambaba, Tabatinga, Tambaú, Barra, Itapuã, Ribeira, Penha, Pelourinho, Rio Vermelho, Dique do Tororó, Mercado Modelo, Elevador Lacerda, Copacabana, Barra da Tijuca, Penha, Ipanema, Leblon, Leme, Botafogo e chego na etapa final em Baía Formosa cheio de boas energias, empoderado por tantas boas energias de fotos compartilhadas, prêmios e citações em grupos famosos até internacionalmente.

Sou tão feliz com essa vida em comunhão com todos, que caso, o Covid me alcance e elimine, não será um problema, uma vez que tenho procurado em toda minha produção poética, textual e, agora fotográfica, deixar sementes e concretudes. Partir não é um problema para quem vive em eterna celebração, é passagem, portal para novas realizações.

Luzzzzz Flávio Rezende aos vinte e cinco dias, nono mês, ano dois mil e vinte. 13h54. Praia de Baía, litoral Sul do Rio Grande do Norte.

 

Domingo, 13 de Setembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da - A felicidade ao alcance do dedo

A natureza humana vem sendo objeto de estudos, reflexões e outros babados mais, desde que nosso juízo juntou tomé com bebé e demos o passo a frente, de apenas pensar em comer e sobreviver, existindo um degrau superior aos que apenas instintivamente só vivem para estes fins.

Quando agregamos na cachola o valor da felicidade, além de só o de viver e sobreviver, começamos a sentir prazer num mundo de coisas, entre elas - num espaço de tempo mais moderno, a fotografia. 

Desde sua descoberta e revelação, quantas alegrias, nada mais deveria ficar somente nos arquivos da memória mental. 

A foto surgiu para aliviar a mente, para dar um prazer inigualável.

A partir de sua realidade, o passado não ficaria mais apenas como uma tradição oral ou escrita, a imagem em papel trouxe ao homem um novo componente de valor histórico, pessoal, familiar, político, existencial, sem igual.

E a descoberta mágica só evoluiu, até hoje é reverenciada e até entronizada como uma das acontecências mais extraordinárias da raça humana na Terra. 

Ai eu, um sapiens das letras, poeta, jornalista, escritor, batendo na porta da década sessentista, aquele espaço temporal onde a tendência é a deprê e o papo é a receita médica prescrita, descubro essa mina, adentro a caverna, ilumino a possibilidade e, como num filme de ficção, percebo meu dedo clicando, meu olhar captando e a coisa toda acontecendo. 

Estou viajando, sozinho, saudade grande da esposa e filhos, mas na mochila a T6i da Canon, com a lente 50-500 da Sigma, o novo smartphone S20 da Samsung, enlouquecido com tantas coisas que observo e eternizo.

Estou vivo, ativo, colaborando positivamente com fotos cheias de significados para um planet melhor. 

Como é bom viver e estar sempre fazendo algo útil. 

Felizzzzzzz.

 

Flávio Rezende aos doze dias, nono mês, ano dois mil e vinte, 22h59, praia de Tambau em João Pessoa. 

Domingo, 23 de Agosto Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma- nada de achar que está tudo em seu devido lugar

 Num domingo de agosto, mês que gosto e que historicamente tenho vitórias e conquistas - desafiando a pecha de negativo, mantenho tradição de acordar cedo, fumego café, imprenso trigo na chapa quente, obtendo desjejum agradável e, decidindo não curtir praia, fico em casa para ver Mengão na TV.

No conforto do sofá, com pet vigilante querendo algo diferente para beliscar, adentro mídias sociais, vejo o jogo num empate com o Fogão e, na varanda, dum décimo andar do Alto da Candelária, reflito que na vida, nada é araldite, super-bond, m3. Na reflexão de que a experiência material num corpo espiritual, revela uma série de mudanças, variações, novas configurações, vou pensando que no planeta já tivemos fascistas, comunistas, democratas, preconceituosos, humanistas, santos, diabólicos, gênios, medíocres, pacifistas, e até doidos por confusão.

Já passamos pelas cavernas, castelos, vírus, vacinas, mercenários, heróis, empreendedores, políticos, artistas, liberais, machistas, reformadores e até iluministas. Pessoalmente já experimentei diversas fases, vegetariano, comunista, esquerdista, liberal, hoje porra nenhuma.

A observação dominical, vendo a glória do Mengão fraquejar, as promessas de 38 mudar, padres roubando, políticos mentindo, empresários se corrompendo, jornalistas se vendendo, pessoas sendo atacadas por serem independentes, tenhamos então a certeza que a única coisa que não muda, é que tudo muda.

Mudamos sempre, quando jovens pensamos de uma forma, depois de outra, como candidatos, depois como eleitos, como filhos, em seguida como pais, sigamos então na vida buscando incorporar o amor, pois só ele abarca a percepção de que havendo naturalmente mudanças, devemos respeitar, orientar com carinho, e dar nossa opinião com essa visão mais abrangente, afinal o que hoje tanto atacamos, amanhã mesmo pode se apresentar para nós, de outra forma.

Enfim, viver, mas estar sempre cheio de amor, disposição para mudar, se posicionar ao lado das coisas certas, mesmo que diferentes do que ontem pregamos, a idade serve para depurar, ponderar, avaliar, pesar, ver o melhor lugar para estar. E para os novos, sem muita experiência, essa estrada que percorremos, desde que sem radicalismo ou adesão cega, poderá servir como bússola. Luzzzzz. 

Sexta, 21 de Agosto Meus escritos por Flávio Rezende

Figuras da Cidade prosseguiu hoje com Nego do Coco

O projeto Figuras da Cidade prosseguiu hoje em Ponta Negra, contemplando com foto de minha autoria, emoldurada, o vendedor de alimentos e bebidas Kerginaldo, conhecido como Nego do Coco, mesmo sendo branco e usando coco com acento circunflexo, numa prova de sua irreverência.

O projeto já forneceu gratuitamente fotos emolduradas para o hippie Amor, pescadores Sadio, Ridinha, ambulante Alpha Blondie, entre outros, tendo também o sistema mecenas, onde a pessoa indica alguém e paga apenas o custo da moldura.

O objetivo é proporcionar autoestima e uma lembrança positiva na vida das pessoas. Luzzzzzz

Domingo, 26 de Julho Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - a entronização da idiotia

A quarentena do virulento Covid, seja em qual proporção for, pode  ocasionar o horror do desemprego, a desgraça da falência, a morte de alguns enfermos, ou até a possibilidade de mais informações, para os abençoados de subsistência garantida ou outras facilidades mais, decorrentes de situações sociais e trabalhistas, não cabendo censura ou outras reprovações, posto que essas posições, decorrem de eventos pré Covid.

Estando nesse grupo de privilegiados, aposentado que sou, posso mergulhar com mais tempo no mundo mágico da Netflix, que disponibiliza um cardápio imenso de películas, ficando eu agradecido com tantas sessões por um módico valor monetário. 

Cada filme possibilita um conjunto de reflexões - como o de ontem, sobre a vida do escultor polonês radicado nos EUA, Stanislaw Szukalski, já desencarnado, numa produção de Leonardo di Caprio.

Szukallski foi um gênio, produziu obras de arte impressionantes e eu nunca havia lido nada a respeito. Mesmo perto dos 60, não sabia de sua passagem pela Terra tempos atrás.

Refletindo sobre isso, comecei a pensar em quantos artistas, cientistas, filósofos, jornalistas, fotógrafos, biólogos, professores, pesquisadores, existem e nem sabemos, sobressaindo na maior parte das vezes, em toda Terra, as nulidades, com milhões de seguidores, sendo o conjunto planetário ávido por pessoas sem substância, cultura ou conteúdo, amealhando riqueza, poder de influência, usufruindo por causa dessa nossa mediocridade de recursos que faltam para vacinas, fome, alimentos, em existências de ostentação exacerbada, enquanto professores e verdadeiros gênios, sobrevivem de migalhas do sistema e vaquinhas eventuais de amigos e organizações.

E infelizmente no Brasil e nos EUA, presidentes medíocres, verdadeiros representantes da nulidade e do atraso, empoderam retrocessos, dando ibope ao que não presta, em detrimento das coisas corretas, iludindo até pessoas de boa vontade, numa fraude imensa de verdadeiras políticas, causando com isso entrada dos citados países em processos de deterioração e de identificação com práticas medievais e já sabidamente erráticas.

Mas nosso planeta tem tido esse comportamento desde seu nascimento, os gênios são apenas curiosidades, as práticas boas são circunstâncias pós graves crises. Na média cotidiana reina a barbárie, a entronização do babaca, a valorização da cultura fácil, baixa, medíocre.

A educação é sempre uma promessa, as boas maneiras uma meta, o caminho do bem, uma filosofia.

Hoje devo ver alguém que bem podia ter tido mais influência e importância. 

Os medíocres não passam para a história, mas são tantos, que terminam sendo eles a todo tempo, a própria história real, enquanto os gênios e heróis, são a história educacional. 

Que situação, rapá...

Segunda, 13 de Julho Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - a temporalidade e a serventia -

Em recuperação cirúrgica cumpro com mais disciplina a quarentena, não mudando no entanto a hora do despertar e o momento do café fumegar.

Entre o abrir das pálpebras e a degustação do desjejum, observo pensativo minha moderna escova dental, uma Oral B elétrica repousando no interior do copo que a alberga - na verdade duas escovas, uma mais antiga, e a moderna, ambas adquiridas em viagens com a família para os EUA. 

No começo da nova aquisição, alterei uso das duas, como que por pena de abandonar de vez a mais velha, posto que canceriano, cultivo amor por seres, natureza, animais e até por objetos muito utilizados. 

O uso da nova porém foi mostrando que a mesma escorregava menos quando molhada e com pasta, que possuía uma velocidade maior e precisava de menos carregamento para funcionar. 

Lentamente fui dando mais ibope a nova, até que a velha sentindo tristeza por ser utilizada só em viagens e cada vez mais abandonada, começou sozinha a se ligar. 

Quando voltei do hospital, após a cirurgia, Deinha revelou que ouviu um certo ruído de noite, achou estranho, pois parava e voltava, até de manhã perceber que era a escova ligando sozinha.

Eu já havia percebido que preenchia ela de energia, e quando ia usar, a mesma não funcionava. 

Diante da nova poderosa, não escorregadia, ligeira e de design mais bonito, decidi aposentar de vez minha antiga Oral B, sem antes refletir sobre isso.

Pensei no Covid-19, ele chega pegando muito quem já tem mais tempo na carne, os que por problemas diversos estão mais devagar, com carcaça ultrapassada diante dos novos, precisando de mais energia para funcionar, e mesmo assim, gastando a mesma meio que sem necessidade, fazendo falta quando de fato se precisa.

Acontece naturalmente, inexoravelmente nosso design muda, a importância diminui, até que algo cuida de nos aposentar da vida.

As vezes é uma gordura que circula e emperra, fruto das pizzas a mais, picanhas com cerveja, as vezes é a pressão que explode, decorrente do sal em excesso, tem ainda o açúcar, estresse, depressão, decisão pessoal, até as incontinências, como ocorreu com minha antiga escova, que incontinenti, na madrugada, dispensava a energia que daria a ela, a vitalidade necessária para seu existir. 

Imaginei que diante da nova, em humilhante posição de ser usada de vez em quando, renunciara espontaneamente a ter carga, estava na verdade cheia de tudo, preferiu apagar, ficar como decoração, existir como memória. 

E assim somos nós, as vezes somos substituídos no trabalho, na vida de outros, as vezes renunciamos por motivos vários as baterias que nos mantém úteis e vivos. 

A diferença é que fazemos isso conscientemente, escolhas nossas, e/ou algo alheio a nossa vontade, faz por nós. 

O Covid-19 veio obrigando muita gente a se retirar, não tem educação, não liga para permissão, tem predileção pelos mais frágeis, desligando da tomada a fonte de energia.

Vamos substituir nossos objetos, roupas e tomar nossas decisões embalados por motivos pessoais, sabendo que assim como agimos desta maneira, coisas além de nós, também chegam, e sem que saibamos os motivos, também nos desligam e nos tornam memórias, histórias, passagens. 

Só nos resta aproveitar a carga da bateria vital que ainda temos, para deixar uma boa história, uma bela memória, escrever uma honrosa trajetória. 

Luzzzzzzz

Flavio rezende aos treze dias, sétimo mês, ano dois mil e vinte. 17h29. Praia de Ponta Negra.